terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Aah, a raiva...


Como um sentimento tão nojento pode fazer parte da minha vida? Eu, uma pessoa tão limpinha, de bom coração, que sempre tenta fazer o melhor pelos outros, mesmo quando não pode, eu que sempre ajudo, sempre aconselho, sempre espero o melhor momento para agir, a hora certa para falar, digo obrigada, com licença, por favor... Eu que prefiro uma mentira bem contada à uma verdade horrível e cruel. Eu que tenho tanta coisa guardada que as vezes perco o controle, desabo, enlouqueço...

Queria apenas um espaço, um grito, um jeito de tirar toda essa raiva de mim... Não mereço tanta angústia, tanto rancor, que eu nem sei de onde vêm.

Falar de amor é tão simples, tão fácil, tão banal que me embrulha o estômago em momentos como esse. Mas falar de raiva? Rancor? ÓDIO? Ahhh isso me faz pensar mais, buscar no fundo da minha cabeça alguma coisa pra preencher as linhas, completar parágrafos e finalizar frases.

Pra mim o ódio é a melhor forma de demonstrar o quanto você se importa com alguém. O melhor jeito de tirar as lágrimas dos seus olhos, sem derramar uma gota sequer.

Quanto mais eu penso em certas coisas que me fazem/faziam feliz, mais eu vejo o quão estúpida eu sou.

Praticamente todas as pessoas que eu mais confio já me deram o mesmo conselho, a mesma dica, a mesma frase que eu acho ridiculamente PERFEITA pra mim, mas que eu não consigo seguir, não consigo perceber como aquilo me faria bem, como aquelas palavras me levariam à um lugar incrível, que eu busco desde que nasci.

Sou uma pessoa burra, porém, escondo tudo o que quiser, falo o que quiser, e contemplo o presente, que pra mim é o que mais importa.

Cheguei a conclusões ao meu respeito, que não são nem um pouco conclusivas. Não me entendo, já disse isso milhões de vezes.

Queria uma fórmula, um jeito de aprender a melhorar, esquecer o que me faz mal, buscar os amores verdadeiros que perdi, por ser... burra.

Queria um lugar só pra mim, queria ter palavras suficientes pra falar tudo o que sinto, mas não acho nenhuma combinação alfabética que me satisfaça para mostrar o que quero.

Então deixo assim, linhas mal feitas, palavras repetidas, frases sem nexo e a minha raiva... que incrivelmente morreu nessa última palavra.

2 comentários:

Lekka S. disse...

É um sentimento chato, mais fácil de ser expressado com um cmputador, já que ele agüenta a pressão que o que sentimos faz nele, e nunca fala nada. Veja o lado bom: a raiva faz bem para notarmos que o sentimento de Amor não nos iludiu e não nos cegou completamente. Um beijo!

Marcos Maffissoni disse...

Quem é bom o tempo todo com o mundo é ruim a vida inteira consigo mesmo... Os "hipersensíveis" que o digam...


Aliás, bom lembrar que o amor nunca vem sem um pouquinho de ódio e que o ódio nunca vive sem um pingo de amor, pelo menos...

Ademais, crises existenciais servem pra isso mesmo: pra deixar a gente com raiva da gente mesmo... Cabe um clichê existencialista?! Acho que não mas vai assim mesmo: "a existência precede a essência". o que vivemos até o hoje é o que diz o que hoje somos. E o que vamos continuar vivendo é de nossa livre e espontânea decisão. Liberdade incontingente é o nome que o Sartre deu pra isso: quer dizer que ninguém precisa continuar usando a mesma máscara, fazendo as mesmas coisas, e sentindo as mesmas imprecisões e/ou certezas que sentiu até agora. É "só" não querer mais...

Agora, como se faz isso, é outra história... (da qual não sei o enredo).

p.s.: tu escreve muito bem guria. tem um sinceridade enérgica nas tuas palavras. Bom de ler. Desculpa a intromissão. Petulância é o dom que eu recebi quando nasci.
Beijo.